11/08/2009 - 07:26 Dilma nega interferência em investigação da Receita contra família Sarney No Equador, Lula classificou o caso como “fantasia” e defendeu a sua ministra Fonte: Redação
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (foto) negou nesta última segunda-feira (10) ter pedido à ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, que agilizasse um processo de investigação contra o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Não, eu não fiz esse pedido a ela", disse Dilma, em Natal, onde visita obras do PAC.
Em entrevista neste domingo (9) ao jornal "Folha de S. Paulo", Lina disse que a ministra teria pedido que "agilizasse" as investigações sobre as empresas ligadas à família do presidente do Sendo, José Sarney (PMDB-AP). A secretária disse ao jornal ter entendido que seria um pedido para encerrar a investigação.
Dilma negou ter tido o suposto encontro privado em que o pedido teria sido feito. "Eu encontrei com a secretária da Receita várias vezes com outras pessoas junto em grandes reuniões. Essa reunião privada [a] que ela se refere eu não tive com ela", disse a ministra.
No Equador, onde participou da 3ª Reunião Ordinária do Conselho de Chefes de Estado e de Governo da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse duvidar que que Dilma tenha tentado interferir nas investigações em curso na Receita.
"Eu duvido que a Dilma tenha conversado com a Lina sobre qualquer assunto desses. Duvido", disse Lula. Ele classificou a história de "fantasia". “Eu não acredito. Quem construiu essa fantasia, essa história, em algum momento vai ter que dizer que foi um ledo engano."
A ministra afirmou que não comentaria as declarações da ex-secretária da Receita ao jornal. “Eu não tenho como classificar. Eu não vou ficar fazendo interpretação subjetiva dela. Agora, também gostaria de dizer que em momento algum não só eu não me manifestei nesse sentido como também não me manifestei em nenhum outro que diga respeito a ela. Nem para ela ser nomeada, nem para ela ser demitida”, afirmou.
Lina Vieira foi a primeira mulher a chefiar a Receita Federal. Ela ficou menos de um ano no cargo. Durante sua gestão, a Petrobras foi multado por ter mudado o regime de pagamento de impostos durante o ano fiscal, o que é vedado pela legislação. A alteração teria permitido à empresa deixar de recolher R$ 4,3 bilhões em impostos. A Petrobras afirma que a mudança em sua contabilidade está dentro da legalidade.
O caso deu fôlego aos partidos de oposição para a criação da CPI da Petrobras. Lina, porém, ficou de fora da lista de 20 pessoas inicialmente convidadas para depor na CPI. Nesta terça, o secretário interino da Receita, Otacílio Dantas Cartaxo, depõe na comissão para falara sobre a mudança de regime da estatal.
A não convocação da ex-secretária foi criticada pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que fez o pedido para a criação da CPI. Segundo ele, a comissão criou “dois pesos e duas medidas” para iniciar as investigações.
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